Aplicação Equidyn avalia equilíbrio através do smartphone e dispensa equipamentos complexos
Investigadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram a Equidyn, uma aplicação móvel que analisa o equilíbrio corporal recorrendo apenas ao acelerómetro integrado no telemóvel. O sistema foi testado em mais de 50 idosos e procura oferecer um método padronizado, rápido e de baixo custo para avaliações clínicas ou de rotina.
Procedimento simplificado com recurso ao acelerómetro
A solução foi concebida pelo Laboratório de Sistemas Motores Humanos da Escola de Educação Física e Desporto (EEFE) da USP, em parceria com o Instituto Nacional de Tecnologia (INT) do Rio de Janeiro. Para efectuar o teste, o examinador fixa o telemóvel na parte central das costas do participante com uma cinta elástica e segue as orientações do próprio software.
O protocolo inicia-se com a chamada “postura quieta em apoio unipodal”, em que o utilizador permanece 30 segundos sobre uma única perna. Durante esse período, o acelerómetro regista a oscilação do tronco, indicador considerado sensível à estabilidade corporal.
Concluída a fase estática, o aplicativo orienta uma série de desafios dinâmicos: balançar a perna para a frente e para trás, lateralmente e, por fim, cumprir um ciclo de sentar e levantar. Sinais sonoros e marcas no solo garantem ritmo e amplitude uniformes, factores essenciais para comparar resultados entre indivíduos.
Resultados preliminares e limitações actuais
Nos ensaios com mais de meia centena de idosos, todos os participantes conseguiram completar as tarefas definidas, e as medições de aceleração variaram conforme o tipo de movimento, tal como previsto pelos investigadores. O desempenho consistiu em evidência adicional de que a abordagem é fiável para monitorizar o equilíbrio de forma acessível.
O professor Luís Augusto Teixeira, responsável pelo projecto na EEFE, ressalva que a ferramenta ainda não é indicada para pessoas com défices de equilíbrio severos, como idosos muito fragilizados ou indivíduos com perturbações neurológicas incapacitantes. O critério mínimo exige conseguir manter-se sobre uma perna durante meio minuto.

Imagem: metropoles.com
Versão mais rápida em desenvolvimento
A equipa afirma que a Equidyn está tecnicamente pronta, mas trabalha numa iteração mais curta, com menos exercícios por membro e duração reduzida para metade. A mudança envolve a migração para outra linguagem de programação, conduzida pelo INT, com o objectivo de tornar o aplicativo mais leve e facilitar a sua disseminação.
Segundo Teixeira, a meta é disponibilizar um instrumento “amigável” e compatível com qualquer faixa etária, mesmo que os testes iniciais tenham incidido sobre idosos. Ao substituir plataformas dispendiosas por um simples telemóvel, a aplicação pode reduzir custos em clínicas, programas de saúde pública ou acompanhamento desportivo.
Potencial para uso clínico e comunitário
A normalização dos procedimentos, aliada à acessibilidade da tecnologia, abre espaço para estender a avaliação postural a locais sem equipamentos especializados. Profissionais de saúde, treinadores ou cuidadores poderão medir a estabilidade corporal de forma fiável, identificar riscos de queda e monitorizar progressos em programas de reabilitação ou actividade física.
A USP e o INT planeiam intensificar a divulgação quando a versão optimizada estiver concluída. Embora não existam datas anunciadas para lançamento público, a equipa sublinha que a infraestrutura necessária já se encontra presente na maioria dos smartphones actuais, o que pode acelerar a adopção assim que a aplicação seja disponibilizada.

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