Bolsonaro cumpre primeira semana em prisão domiciliária com visitas e restrições definidas
O ex-presidente Jair Bolsonaro passou a primeira semana em prisão domiciliária na sua residência no Jardim Botânico, em Brasília, sob vigilância das autoridades e com regras rígidas impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Sem acesso a telemóveis e sujeito a horários previamente definidos para cada visitante, o antigo chefe de Estado alterna entre momentos de abatimento e tentativas de adaptação à nova rotina.
Limitações impostas pelo Supremo
A detenção em casa foi decretada após o magistrado verificar alegado incumprimento de medidas cautelares, nomeadamente a participação de Bolsonaro, por videochamada, num ato público no Rio de Janeiro. Desde a notificação, proferida a 4 de março, o ex-presidente está proibido de utilizar qualquer aparelho telefónico ou de contactar terceiros por meios eletrónicos.
Para cumprir a decisão, familiares, amigos e políticos autorizados a entrar na residência deixam os telemóveis no veículo ou na portaria do condomínio. A lista de visitantes tem de ser submetida ao STF, que define datas e períodos para cada encontro. Entre os primeiros nomes aprovados estiveram a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, e vários deputados do Partido Liberal (PL).
Estado de saúde sob acompanhamento
As crises de soluços, relatadas desde anteriores internamentos cirúrgicos, mantêm-se frequentes. Segundo o cardiologista Leandro Echenique, membro da equipa médica autorizada a acompanhar Bolsonaro, os episódios têm origem num quadro de refluxo e provocam dificuldades na fala, no sono e, por vezes, vómitos. O especialista afastou relação direta entre o mal-estar e a situação de prisão, embora reconheça que o stress pode agravar um problema crónico.
Aliados do ex-presidente utilizam o estado clínico como argumento contra uma eventual transferência para estabelecimento prisional caso seja condenado no processo sobre alegada trama golpista. Para já, a equipa médica desloca-se à casa do paciente sempre que necessário, seguindo a autorização concedida pelo ministro.
Visitas controladas e reações
Os filhos Flávio e Carlos Bolsonaro estiveram entre os primeiros familiares a chegar à capital para acompanhar o pai. O irmão Renato Bolsonaro também passou a integrar o grupo que presta apoio quotidiano. No plano político, o ex-chefe da Casa Civil Ciro Nogueira visitou-o durante cerca de 30 minutos e gravou, à saída, uma mensagem em que descreveu Bolsonaro como “triste, mas inabalável”.
No dia seguinte foi a vez do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, permanecer quase duas horas na residência. Relatos de bastidores indicam que as conversas se centraram na estratégia jurídica e no cenário pós-julgamento, previsto para as próximas semanas. Entre os parlamentares já autorizados figuram Domingos Sávio, Joaquim Passarinho, Capitão Alden, Júlia Zanatta, Junio do Amaral, Marcelo Moraes e Luciano Zucco, todos do PL.

Imagem: noticiasaominuto.com.br
À medida que surgem novos pedidos, Moraes agenda individualmente as presenças. A vice-governadora Celina Leão, por exemplo, viu a sua visita adiada para 15 de março devido a compromissos fora do Distrito Federal.
Adaptação à vida dentro de casa
A senadora e ex-ministra Damares Alves, que também solicitou autorização para entrar, descreve a permanência forçada em casa como “uma tortura” para Bolsonaro, conhecido por manter rotinas externas diárias que incluíam deslocações a padarias e casas lotéricas. Segundo Damares, o ex-presidente procura agora tarefas domésticas para se ocupar, como dar banho ao cão ou ajudar nos cuidados com o jardim.
Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher, mantém as suas atividades políticas e chegou a sair para trabalhar no segundo dia de prisão do marido. Num vídeo publicado nas redes sociais, a antiga primeira-dama incentivou apoiantes a manter a alegria, ainda que a decisão judicial limite o próprio ex-presidente ao espaço da sua residência. Aliados consideram contratar uma auxiliar para colmatar a sobrecarga de afazeres domésticos enquanto Michelle cumpre a agenda partidária.
Apesar de momentos descritos como “cansado e chateado”, interlocutores próximos relatam que Bolsonaro já aparenta maior tranquilidade face ao choque inicial. A possibilidade de receber familiares e aliados, ainda que sob controlo estrito, é apontada como fator de alívio.
Próximos passos do processo
O ex-presidente aguarda o desenrolar das investigações sobre a alegada tentativa de reverter o resultado eleitoral de 2022. Caso seja condenado, as defesas tentarão demonstrar que problemas de saúde e idade justificam regime menos gravoso do que a prisão comum. Até lá, Jair Bolsonaro permanece no condomínio de alto padrão, sem telemóvel, sob acompanhamento médico regular e com as movimentações diárias pautadas por determinações do Supremo Tribunal Federal.

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