Governo estuda permitir CNH sem aulas em autoescola; especialistas veem riscos à segurança

Governo estuda permitir CNH sem aulas em autoescola; especialistas veem riscos à segurança

O Ministério dos Transportes avalia retirar a obrigatoriedade das aulas em autoescolas para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A proposta, apresentada pelo ministro Renan Filho no início de agosto, pretende reduzir o custo do documento, hoje estimado entre R$ 3 mil e R$ 4 mil, e facilitar o acesso de milhões de brasileiros à habilitação.

Debate sobre segurança viária

O possível fim da exigência de aulas presenciais dividiu opiniões. Para o presidente da Associação Nacional dos Detrans (AND), Givaldo Vieira, o modelo atual é caro, burocrático e acaba estimulando a condução sem habilitação. Em reunião com a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) na quinta-feira (13), Vieira defendeu uma reforma ampla nas regras de formação de condutores e antecipou que o tema será submetido a consulta pública.

Já o presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária, Paulo Guimarães, considera que a formação em autoescolas é fundamental. Segundo ele, abolir as aulas sem criar um sistema alternativo pode colocar motoristas despreparados nas ruas, elevando o risco de acidentes. Guimarães defende provas mais rigorosas, uso de tecnologia para monitorar instruções e auditorias frequentes.

Pontos apontados por especialistas

De acordo com Guimarães, a retirada da obrigatoriedade pode:

  • reduzir a burocracia e o custo da CNH;
  • facilitar o acesso de quem hoje não pode arcar com as despesas;
  • elevar o número de condutores sem treinamento adequado;
  • aumentar a incidência de acidentes de trânsito.

Para minimizar riscos, ele sugere oito ações, entre elas manter um núcleo mínimo de aulas práticas, atualizar conteúdos com novas tecnologias e adotar habilitação progressiva.

Metade dos donos de moto não possui habilitação

Dados da Senatran divulgados em setembro de 2023 mostram que 53,8 % dos proprietários de motocicletas, motonetas e ciclomotores não têm CNH da categoria A. O levantamento reforça a preocupação do governo com o número de condutores sem licença, estimado em 20 milhões de pessoas.

Próximos passos

A Senatran se comprometeu a enviar a proposta completa aos Detrans em até 15 dias. Após análise técnica, o texto será submetido à consulta pública. Renan Filho afirma que a mudança pode ser implementada por regulamentação, sem necessidade de passar pelo Congresso Nacional.

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Imagem: g1.globo.com

Para Vieiras, baratear e simplificar o processo diminuirá as “máfias” que lucram com reprovações sucessivas e reduzirá o impacto financeiro anual estimado entre R$ 9 e R$ 16 bilhões para quem busca a carteira.

Enquanto o governo detalha o novo modelo, instrutores, Detrans e entidades de segurança acompanham o debate para garantir que a eventual flexibilização não comprometa a formação dos futuros motoristas.

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Em resumo, a proposta promete baratear a CNH e reduzir a burocracia, mas especialistas alertam que mudanças na formação precisam assegurar a segurança viária. Acompanhe nossos conteúdos e fique por dentro dos próximos desdobramentos.

Com informações de g1.globo.com

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