Comunidade ucraniana no Canadá acompanha com cautela a cúpula Trump-Putin

Comunidade ucraniana no Canadá acompanha com cautela a cúpula Trump-Putin

O encontro decisivo desta sexta-feira (data não informada pela Casa Branca) entre o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e o presidente russo Vladimir Putin é acompanhado com expectativa e prudência pelos mais de 1,4 milhão de ucranianos que vivem no Canadá, a segunda maior diáspora do mundo.

“Estamos observando com curiosidade”, afirmou Ihor Michalchyshyn, diretor-executivo do Congresso Ucraniano Canadense. “Queremos saber se Trump se colocará como aliado da Rússia, da Ucrânia ou de uma terceira opção.”

Canadá reforça papel de “ponte” nas negociações

Desde a anexação da Crimeia, em 2014, Ottawa mantém posição firme contra Moscou. A postura foi reiterada pelo primeiro-ministro Mark Carney, que, ao lado de líderes europeus e do presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, cobrou que qualquer decisão sobre o futuro do país parta dos próprios ucranianos.

Carney recebeu Zelenskyy na cúpula do G7, em Alberta, onde anunciou novo pacote militar de mais de US$ 2 bilhões, proveniente de verbas já aprovadas, além do primeiro repasse de ativos russos congelados para a reconstrução da Ucrânia.

Apreensão com possíveis concessões territoriais

Trump tem dito que pretende “preparar o terreno” para uma segunda reunião que inclua Zelenskyy, mas não descarta discutir trocas de território. A hipótese preocupa Kiev e a diáspora, já que cerca de 20% do território ucraniano permanece sob ocupação russa.

Zelenskyy lembra que as fronteiras nacionais estão fixadas na Constituição e só poderiam ser alteradas por referendo. “Manter a integridade territorial da Ucrânia é linha vermelha”, reforçou Michalchyshyn, apostando no peso diplomático de Europa e Canadá para sustentar a exigência.

Ajuda humanitária continua crescendo

Além do apoio governamental, canadenses enviaram mais de US$ 95 milhões em doações por meio da Canada-Ukraine Foundation (CUF) desde 2022, informou o diretor-executivo Valeriy Kostyuk. Segundo ele, as contribuições aumentaram após o encontro turbulento entre Trump e Zelenskyy em fevereiro e diante das recentes ameaças do republicano de transformar o Canadá no “51.º estado americano”.

A CUF concentra esforços em reunir crianças ucranianas deportadas pela Rússia às suas famílias. Estima-se que mais de 19 mil menores tenham sido levados para território russo ou enviados a acampamentos, prática que Ottawa classificou como componente de genocídio.

Para Kostyuk, evitar que o agressor seja recompensado é crucial. “A comunidade lembra o precedente de Munique, em 1938, quando a política de apaziguamento fracassou”, disse, referindo-se ao acordo que concedeu parte da então Tchecoslováquia à Alemanha nazista.

A cúpula desta sexta-feira deve indicar se Trump buscará manter o alinhamento histórico de Ottawa com Kiev ou se aceitará concessões a Moscou. Enquanto isso, líderes da diáspora reforçam que qualquer solução precisa garantir soberania plena à Ucrânia.

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O futuro das negociações permanece aberto, mas a comunidade ucraniana no Canadá mantém a esperança de que a integridade territorial do país seja preservada. Continue acompanhando nossas atualizações para saber o resultado do encontro e seus impactos.

Com informações de Global News

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