Cursos de saúde EaD põem formação em risco, alertam especialistas

Cursos de saúde EaD põem formação em risco, alertam especialistas

Cursos de saúde EaD põem formação em risco, alertam especialistas

Cursos de saúde EaD estão no centro de um debate sobre qualidade de ensino após decreto federal que proibiu a modalidade integralmente a distância para medicina, enfermagem, odontologia e psicologia, mas manteve brechas para modelos híbridos em fisioterapia, nutrição e outras graduações.

Cursos de saúde EaD põem formação em risco, alertam especialistas

Conselhos profissionais e docentes ouvidos apontam que a assistência à população depende de competências práticas desenvolvidas desde os primeiros semestres, algo difícil de adquirir fora de cenários clínicos reais. Raphael Ferris, presidente do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional de São Paulo (Crefito-3), afirma que exames físicos detalhados, leitura de reações sutis dos pacientes e decisões rápidas sob pressão exigem vivência presencial.

A professora Vanessa Fonseca Vilas Boas, do Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino (Unifae), destaca que a demora em integrar teoria e prática fragiliza o raciocínio clínico e reduz a proficiência em habilidades motoras. Sem contato humano constante, o aluno também leva mais tempo para desenvolver empatia e atitudes centradas na pessoa.

Outro prejuízo citado pelos especialistas é a perda de experiências interprofissionais. O trabalho em equipe, defendido pela Organização Mundial da Saúde como estratégia para reduzir erros e aumentar a segurança do paciente, depende de interação entre estudantes de diferentes áreas, algo que plataformas digitais raramente reproduzem com sucesso.

Para os defensores da EaD, o modelo amplia o acesso ao ensino superior. Contudo, Silas Antonio Juvencio de Freitas Filho, também da Unifae, avalia que quantidade não deve superar qualidade. “A saúde lida diretamente com vidas; qualquer falha na formação repercute no cuidado prestado”, diz.

Ferris alerta que profissionais mal preparados podem sobrecarregar o Sistema Único de Saúde (SUS) a médio e longo prazo, provocando aumento de erros diagnósticos, queda na qualidade da assistência e maior judicialização.

Embora o decreto tenha barrado cursos totalmente on-line, a permissão para formatos híbridos ainda preocupa parte da comunidade acadêmica, que vê risco à confiança da população no atendimento de saúde.

Para acompanhar outras análises sobre formação profissional e bem-estar, visite a seção Saúde e Bem Estar e continue informado.

Crédito da imagem: Watchara Piriyaputtanapun/Getty Images

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