Decisão de Moraes sobre Coaf ameaça investigações

Decisão de Moraes sobre Coaf ameaça investigações

Decisão de Moraes sobre Coaf ameaça investigações

Decisão de Moraes sobre Coaf ameaça investigações ao suspender, em todo o país, processos baseados em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras requisitados pelo Ministério Público sem autorização judicial.

Suspensão atinge investigações de grande alcance

Na quarta-feira (20), o ministro Alexandre de Moraes determinou a paralisação de todas as ações que utilizam relatórios de inteligência financeira do Coaf solicitados diretamente pelo MP ou pela polícia, sem aval prévio da Justiça ou sem a abertura formal de inquérito. A medida vale até que o plenário do STF defina tese vinculante sobre o compartilhamento desses dados.

Investigações como as dos ataques de 8 de Janeiro, da suposta trama golpista envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de facções criminosas, entre elas o PCC, utilizam esse mecanismo de obtenção de informação bancária e fiscal.

Ministérios Públicos apontam risco de anulações em massa

Logo após a decisão, defensores de réus em processos de corrupção, tráfico e lavagem de dinheiro passaram a pedir não só a suspensão das ações, mas também a revogação de prisões preventivas e bloqueios patrimoniais. O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, solicitou que Moraes limite urgentemente o alcance da ordem para evitar prejuízo a quatro operações de alto impacto: Tacitus, Fim da Linha, Armageddon e Car Wash.

Em outra manifestação, a Procuradoria-Geral da República pediu que apenas decisões que anularam provas oriundas dos relatórios sejam suspensas, preservando processos que já reconheceram a validade das requisições de dados.

Ponto de tensão entre tribunais

O Superior Tribunal de Justiça vinha derrubando provas obtidas sem ordem judicial, como ocorreu nas operações El Patrón e Sordidum. O Supremo, porém, reverteu parte dessas decisões. Em 2019, a Corte já havia autorizado o repasse de informações do Coaf a órgãos de persecução penal sem necessidade de prévia autorização, entendimento questionado por novas decisões do STJ.

Para especialistas, a indefinição cria um cenário de insegurança jurídica. “Transformar o Coaf em órgão acessório de investigação fere o papel de unidade de inteligência financeira”, afirma o advogado Gustavo Mascarenhas, crítico da requisição on demand dos relatórios.

O STF ainda não tem data para concluir o julgamento que definirá se a requisição direta ao Coaf é constitucional. Enquanto isso, centenas de inquéritos sobre facções e lavagem de dinheiro permanecem em compasso de espera, impactando a capacidade do Estado de combater o crime organizado. O próprio tribunal reconhece a urgência do tema, como mostra o histórico disponível em seu site oficial.

Com o futuro de operações milionárias nas mãos do Supremo, permanece a dúvida sobre como equilibrar sigilo bancário e eficiência investigativa. Continue acompanhando as últimas notícias do Brasil e do mundo para entender os próximos passos do julgamento.

Crédito da imagem: Folhapress

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