Estudo revela que dieta saudável melhora marcadores de saúde sem perder peso

Estudo revela que dieta saudável melhora marcadores de saúde sem perder peso

Seguir um padrão alimentar equilibrado traz ganhos mensuráveis para o organismo mesmo quando a balança não se mexe. A conclusão surge de uma investigação conduzida pela Universidade Ben Gurion, em Israel, que acompanhou 761 adultos durante um período entre 18 e 24 meses.

Resultados do estudo

Os participantes adoptaram diferentes modelos reconhecidos como saudáveis, entre eles versões com menos gordura, regimes de baixo teor de hidratos de carbono e a tradicional Dieta Mediterrânica. Findo o acompanhamento, 36 % dos voluntários registaram perda de peso significativa, 36 % apresentaram redução moderada e 28 % mantiveram o peso inicial.

Independentemente da variação na massa corporal, todos os grupos evidenciaram melhorias relevantes nos parâmetros metabólicos. Os investigadores mediram:

  • descida da pressão arterial;
  • aumento do colesterol HDL (colesterol “bom”);
  • diminuição dos triglicéridos;
  • redução dos níveis de insulina e leptina;
  • melhorias nas enzimas hepáticas.

Estas alterações traduzem-se em menor risco de doenças cardiovasculares, funcionamento mais eficiente do fígado e regulação aprimorada da saciedade.

Perspectiva dos especialistas

Segundo nutricionistas consultados para comentar os dados, a investigação reforça que saúde não deve ser avaliada unicamente pelo peso. A leitura de marcadores como tensão arterial, perfil lipídico e indicadores hormonais oferece um retrato mais completo do estado metabólico.

Os profissionais sublinham que pequenas mudanças sustentadas — incluir mais vegetais, reduzir alimentos ultraprocessados e praticar actividade física regular — já são suficientes para desencadear benefícios notórios. Mesmo indivíduos com peso ligeiramente acima do recomendado podem alcançar um perfil metabólico considerado saudável quando estes valores se mantêm controlados.

Implicações para a saúde pública

Os autores do estudo observam que a prevalência de dietas extremamente restritivas, centradas apenas na estética, tende a gerar frustração e abandono precoce. Em contraste, intervenções que colocam o foco no bem-estar geral mostram-se mais sustentáveis e eficazes a longo prazo.

Ainda assim, sobrepeso e obesidade continuam associados a maior probabilidade de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de cancro. Por isso, as entidades de saúde defendem um equilíbrio: procurar um peso adequado, mas sem perder de vista a manutenção de hábitos alimentares suportáveis no quotidiano.

Para a comunidade científica, o trabalho israelita acrescenta evidência de que o controlo de fatores biométricos deve ser objetivo primordial em qualquer programa nutricional. A melhoria desses indicadores reduz riscos clínicos e contribui para maior qualidade de vida, mesmo quando não ocorre emagrecimento expressivo.

Principais conclusões

• Intervenções alimentares saudáveis podem melhorar a saúde cardiovascular e hepática sem necessidade de perda de peso.
• Marcadores metabólicos fiáveis incluem pressão arterial, perfil lipídico, enzimas hepáticas, insulina e leptina.
• Planos nutricionais focados apenas na balança podem negligenciar benefícios relevantes para o organismo.
• Estratégias graduais, combinadas com actividade física, tendem a oferecer resultados mais duradouros e seguros.

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