EUA e China prolongam tréguas comerciais por mais 90 dias e evitam nova subida de tarifas
WASHINGTON / PEQUIM — Os Estados Unidos e a China acordaram prolongar a suspensão mútua de tarifas por mais 90 dias, afastando, à última hora, o risco de uma nova escalada na disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo.
Extensão evita aumento automático de impostos
O presidente norte-americano, Donald Trump, assinou na segunda-feira uma ordem executiva que estende o prazo da trégua comercial, confirmado de seguida por uma publicação na rede Truth Social. Ao mesmo tempo, o Ministério do Comércio chinês anunciou a mesma decisão em Pequim. Sem o prolongamento, o período de tolerância expiraria às 00h01 de terça-feira, momento em que Washington poderia elevar os direitos aduaneiros sobre produtos chineses além do atual patamar de 30 %, enquanto Pequim estaria preparada para reforçar as taxas retaliatórias sobre exportações norte-americanas.
A prorrogação mantém inalterados todos os restantes elementos do acordo provisório alcançado em maio, que tinha reduzido tarifas de três dígitos para níveis ainda elevados, mas mais contidos: 30 % sobre importações chinesas e 10 % sobre bens dos EUA. O alívio concede mais tempo para novas negociações e abre a porta a um eventual encontro entre Donald Trump e o presidente Xi Jinping ainda este ano.
Reação do setor empresarial
Empresas norte-americanas com atividade na China saudaram a decisão. Sean Stein, presidente do US-China Business Council, classificou a extensão como “crítica” para permitir a conclusão de um entendimento que amplie o acesso ao mercado chinês e ofereça previsibilidade para investimentos de médio e longo prazo. Segundo o responsável, a prioridade passa por alcançar medidas que reduzam tarifas, revertam sanções e revitalizem exportações agrícolas e energéticas dos Estados Unidos.
Do lado chinês, o Governo comprometeu-se a prolongar por igual período a isenção concedida a algumas companhias norte-americanas incluídas em listas de controlo de exportações e de “entidades não fiáveis”. Para certas empresas, as restrições serão totalmente suspensas; para outras, aplica-se um adiamento adicional de 90 dias.
Contexto de tensões e tarifas recorde
Desde o início da administração Trump, Washington impôs sucessivas taxas aduaneiras que transformaram os Estados Unidos, tradicionalmente uma das economias mais abertas, numa fortaleza protecionista. De acordo com cálculos da Universidade de Yale, a tarifa média dos EUA subiu de 2,5 % para 18,6 %, o valor mais alto desde 1933. Para evitar sobretaxas ainda maiores, parceiros como a União Europeia e o Japão aceitaram acordos que preveem imposições de 15 % sobre as suas exportações para território norte-americano.
Pequim respondeu restringindo o fornecimento de terras raras — minerais essenciais para veículos elétricos e motores aeronáuticos — e aplicando impostos que chegaram aos 125 % sobre determinados produtos dos EUA. A rivalidade intensificou-se até maio, quando ambas as partes recuaram, receando o impacto económico de tarifas de três dígitos que ameaçavam travar quase por completo o comércio bilateral.

Imagem: Paul Wiseman and Didi Tang via globalnews.ca
Pontos ainda por resolver
A agenda negocial permanece carregada. Washington reclama maior proteção da propriedade intelectual, fim de subsídios estatais considerados distorcivos e redução do défice comercial de 262 mil milhões de dólares registado em 2022. Por seu lado, Pequim insiste na remoção de restrições impostas a tecnologias sensíveis e procura garantias de acesso a matérias-primas e energéticos.
Analistas consultados pela imprensa internacional duvidam de avanços substanciais no curto prazo. Claire Reade, ex-responsável pela China no gabinete do Representante de Comércio dos EUA, entende que o entendimento pode limitar-se à compra adicional de produtos agrícolas norte-americanos e a compromissos chineses no combate ao tráfico de fentanilo. Jeff Moon, antigo diplomata e actual consultor, antecipa que as disputas estruturais continuem “durante anos”.
Próximos passos
As delegações deverão retomar as conversações nas próximas semanas para detalhar mecanismos de verificação e fases de levantamento gradual das tarifas. Caso surjam progressos suficientes, fontes diplomáticas admitem a hipótese de um encontro presencial entre Trump e Xi Jinping em país ainda a designar, com vista à assinatura de um acordo mais abrangente.
Até lá, o prolongamento de 90 dias garante estabilidade temporária aos mercados e evita um novo aumento de preços para consumidores e empresas. Contudo, a manutenção de tarifas em níveis historicamente elevados continua a pressionar cadeias de fornecimento globais e a injetar incerteza na economia internacional.

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