Ex-CEO da Hurb sai da prisão com tornozeleira e será avaliado por psiquiatra
João Ricardo Mendes, fundador e antigo presidente-executivo da plataforma de viagens Hurb (antigo Hotel Urbano), deixou o estabelecimento prisional do Rio de Janeiro após 88 dias detido. A libertação foi autorizada pelo juiz André Felipe Veras de Oliveira, da 32.ª Vara Criminal do Rio, que impôs diversas medidas cautelares.
Condições para permanecer em liberdade
Entre as obrigações fixadas pelo magistrado, Mendes terá de utilizar tornozeleira eletrónica, entregar o passaporte às autoridades e permanecer dentro dos limites do estado do Rio de Janeiro, salvo autorização prévia do tribunal. O empresário também ficou proibido de estabelecer qualquer contacto com vítimas ou testemunhas ligadas ao processo.
Além destas restrições, o juiz determinou que o ex-CEO seja submetido a acompanhamento psiquiátrico semanal. Os relatórios clínicos, de periodicidade mensal, deverão ser enviados ao juízo responsável para monitorizar a sua evolução e garantir o cumprimento da medida.
Acusação de furto e contexto da detenção
Mendes foi preso em flagrante em 25 de abril deste ano, numa cobertura de luxo na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. A Polícia Civil afirma que o empresário retirou sem autorização obras de arte e objetos de decoração pertencentes a um hotel e a um escritório de arquitetura situados no mesmo bairro. O material, segundo os investigadores, está avaliado em aproximadamente R$ 23 mil (cerca de 4,2 mil euros).
A investigação prossegue para apurar eventuais responsabilidades adicionais e a destinação dos itens alegadamente furtados. Até à data, não há registo de acusações formais relacionadas a outros crimes.
Trajetória de empreendedorismo e saída da liderança
Nascido no Rio de Janeiro, Mendes tem 44 anos e iniciou atividade empresarial aos 18, com uma banca de bebidas na praia do Pepê. O interesse pelo comércio eletrónico levou-o mais tarde a atuar na compra e venda de produtos online. Em 2011, fundou o Hotel Urbano com o irmão, transformando a empresa numa das maiores agências de viagens digitais do Brasil.
À medida que o negócio crescia, Mendes assumiu a face pública da companhia, surgindo em campanhas e comunicados. Contudo, em 2023 deixou a função de presidente-executivo após críticas de consumidores e a divulgação de vídeos em que insultava clientes e expunha dados pessoais. A renúncia coincidiu com o agravamento de queixas contra a Hurb por cancelamentos de pacotes e atraso em reembolsos.

Pressão regulatória sobre a Hurb
Desde meados de 2023, a Hurb enfrenta processos judiciais e administrativos relacionados à venda de viagens não realizadas. Em maio do mesmo ano, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) ordenou a suspensão da oferta de novos pacotes na plataforma e abriu procedimento para assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).
A suspensão foi posteriormente levantada para viabilizar negociações, mas a empresa falhou repetidamente em comprovar capacidade financeira para honrar compromissos, segundo a Senacon. O órgão federal estabeleceu multa diária de R$ 80 mil em caso de descumprimento das determinações e advertiu para a possibilidade de penalidades adicionais.
Um relatório do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) apontou que, durante a pandemia de Covid-19, a Hurb comercializou pacotes sem garantir recursos suficientes para executar as viagens. Tentativas de acordo em setembro de 2023, destinadas a reembolsar consumidores afetados, acabaram por não se concretizar.
Próximos passos judiciais
Com a libertação, o processo por furto prossegue em liberdade vigiada. A defesa do ex-executivo poderá apresentar argumentos finais enquanto o Ministério Público analisa se oferece denúncia formal. Caso seja condenado, Mendes fica sujeito a penas que podem incluir prisão e multa.
O tribunal acompanhará ainda os relatórios psiquiátricos para avaliar a necessidade de manter, alterar ou extinguir as medidas cautelares. Qualquer violação das condições estabelecidas poderá levar à revogação da liberdade provisória e ao regresso imediato do empresário ao sistema prisional.

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