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Família de Arlindo Cruz partilha emoção e alívio após morte do sambista

Rio de Janeiro. A viúva de Arlindo Cruz, Babi Cruz, e os filhos, Arlindinho e Flora Cruz, quebraram o silêncio para comentar a morte do cantor e compositor, ocorrida na sexta-feira, 8 de agosto, aos 66 anos. O artista encontrava-se internado desde abril e lidava com sequelas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) sofrido em 2017.

Família recorda o artista

Num depoimento conjunto, os três sublinharam que a união familiar foi a principal força durante os últimos oito anos. «Ninguém nunca largou a mão de ninguém», afirmou Arlindinho, destacando que, mesmo debilitado, o pai «continuava a inspirar trabalho, luta e amor ao samba».

Babi Cruz relembrou o início da relação, ainda no final da adolescência, referindo-se ao companheiro como «um ser humano acima da curva». «Foram quatro décadas de convivência que ajudaram a moldar a minha personalidade», declarou.

Para Flora, Arlindo era «o melhor pai do mundo». A filha descreveu-o como um homem «à frente do tempo» e «amigo incondicional», sempre preocupado em preparar a família para enfrentar dificuldades. «Perdemos o melhor colo do mundo», resumiu.

Já Arlindinho, também músico, reconheceu o peso de continuar o legado. «Sei que jamais serei 10 % do que ele foi, mas vou honrar o nome e o samba, à minha maneira», garantiu.

Oito anos de cuidados após o AVC

Desde o AVC de 2017, Arlindo Cruz passou por sucessivos internamentos e tratamentos de reabilitação. A família relatou que a própria determinação do cantor serviu de ânimo para o processo. «Enquanto teve força para ficar connosco, manteve-se firme», lembrou Flora.

Os derradeiros meses foram marcados por um agravamento do quadro clínico, levando à hospitalização em abril deste ano. Segundo a família, a evolução da doença tornara-se irreversível. «Talvez seja um dia de maior alívio», admitiu Arlindinho. «Pior do que perder era vê-lo sofrer.»

Cerimónias de despedida

O velório decorreu na quadra do Império Serrano, escola de samba pela qual Arlindo Cruz tinha profunda ligação. O local transformou-se num espaço de música e memória, onde amigos e admiradores relembraram sucessos como «Meu Lugar» e «Batuques do Meu Lugar».

A família recebeu condolências de sambistas e fãs vindos de várias partes do país. Antes, o músico já havia sido homenageado em desfiles no Rio de Janeiro e em São Paulo, ainda em vida, como reconhecimento pela contribuição ao género.

O enterro realizou-se no domingo, 10 de agosto, coincidindo com o dia de Iroko, orixá associado ao tempo e à ancestralidade. Para Babi Cruz, a coincidência simbolizou «o tempo a conduzir todos os actos da vida» do marido.

Legado no samba brasileiro

Compositor de dezenas de sucessos, Arlindo Cruz começou a carreira na década de 1970 e consolidou-se como referência no pagode e no samba de raiz. Integrante do grupo Fundo de Quintal e autor de temas populares, ganhou prémios, ocupou presenças regulares em programas televisivos e foi figura de destaque no Carnaval carioca.

O impacto do seu repertório estende-se a várias gerações de artistas. A família sublinha agora a responsabilidade de preservar esse acervo: «É nossa missão garantir que a obra dele continue viva», salientou Flora.

Próximos passos

Segundo Arlindinho, as gravações inéditas deixadas pelo pai serão catalogadas antes de qualquer edição pública. «Não temos pressa; faremos tudo com respeito», adiantou, frisando que as decisões futuras dependerão de consenso familiar.

Babi Cruz acrescentou que ações sociais ligadas à música, projeto acalentado pelo marido, deverão ser retomadas: «Queremos transformar o amor dele pelo samba em oportunidades para novos talentos».

Com a despedida de Arlindo Cruz, o samba brasileiro perde uma das suas vozes mais reconhecidas. Para familiares e fãs, permanece uma obra extensa e o compromisso de manter viva a memória de quem, durante cinco décadas, fez da roda de samba um ponto de encontro para milhões de pessoas.

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