Febre oropouche: avanço no Sudeste ligado às bananais

Febre oropouche: avanço no Sudeste ligado às bananais

Febre oropouche: avanço no Sudeste ligado às bananais

Febre oropouche concentra 80% dos casos de 2025 na Região Sudeste, superando 10 mil registros até 18/8 e intrigando pesquisadores sobre as causas da migração do vírus fora da Amazônia.

Febre oropouche: avanço no Sudeste ligado às bananais

Até agosto, o Painel de Monitoramento de Arbovíroses do Ministério da Saúde contabilizava 11.904 infecções, das quais 8 em cada 10 ocorreram no Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. O fenômeno, antes limitado à Amazônia, agora desafia políticas públicas de vigilância no Sudeste.

Clima, desmatamento e bananais no centro das investigações

Estudo publicado na revista Plos One cruzou a localização dos casos com temperatura, regime de chuvas e uso do solo. As regiões de expansão coincidiam com aumento de calor, precipitação e desmate. Segundo a pesquisadora Camila Lorenz, do Instituto Butantan, essas condições favorecem o maruim, mosquito-pólvora que transmite o vírus oropouche.

Os cientistas identificaram clusters fora da Amazônia em municípios com amplas plantações de banana e cacau, culturas que acumulam matéria orgânica em decomposição e criam ambiente ideal para o vetor. Trabalho da Fiocruz, divulgado na The Lancet Infectious Diseases, reforçou a relação: no Espírito Santo, os municípios com maior área de bananais registraram os surtos mais intensos.

Mutações aumentam transmissibilidade do vírus

Outra peça do quebra-cabeça surgiu em setembro de 2024. Grupo liderado por Felipe Naveca, da Fundação Oswaldo Cruz, descreveu na Nature Medicine uma linhagem com alterações na superfície viral. As mutações aceleram a replicação no hospedeiro e podem fazer com que um infectado contamine até duas pessoas via mosquito.

Mais testes, mais casos visíveis

Há apenas dois anos o Brasil incluiu a oropouche nos protocolos de testagem. Para o virologista Tiago Gräf, muitos quadros antes rotulados como dengue ou chikungunya agora aparecem nos boletins graças ao diagnóstico específico, ampliando a percepção de avanço da doença.

Probabilidade de epidemia continua baixa

Embora os sintomas — febre súbita, cefaleia e dores articulares — se assemelhem aos da dengue, a oropouche depende do maruim, que prefere áreas quentes, úmidas e ricas em matéria orgânica. Pesquisa liderada por Gräf mostrou incidência quatro vezes maior em municípios com menos de 50 mil habitantes do que em centros urbanos acima de 200 mil. Para atingir patamar epidêmico semelhante ao da dengue, o vírus precisaria de outro vetor adaptado às cidades, cenário considerado improvável.

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Crédito da imagem: Getty Images

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