Hugo Motta emprega caseiro da fazenda no gabinete

Hugo Motta emprega caseiro da fazenda no gabinete

Hugo Motta emprega caseiro da fazenda no gabinete

Hugo Motta emprega caseiro da fazenda no gabinete desde 2019, segundo registros da Câmara dos Deputados. Ary Gustavo Soares, responsável pela fazenda do parlamentar em Serraria (PB), recebe R$ 7.200 mensais como secretário parlamentar, cargo que exige dedicação exclusiva de 40 horas semanais.

Emprego público e função privada colidem

Ary atua como caseiro na propriedade rural de Motta, localizada a 131 km de João Pessoa. Funcionários, vizinhos e técnicos agrícolas relataram que ele chega à fazenda no início da semana, permanece até sexta-feira e retorna a Patos, base eleitoral do deputado, nos fins de semana.

Além de cuidar da fazenda, testemunhas dizem que Ary também dirige para o presidente da Câmara quando ele está em Patos. Ainda assim, o servidor é remunerado com dinheiro público para prestar serviço “direto e exclusivo” ao mandato, conforme o Ato da Mesa 72/1997.

A legislação vigente, incluindo a Lei 8.112/1990, proíbe que servidores exerçam atividades incompatíveis com a jornada de 40 horas. O mesmo ato normativo veta vínculo privado que conflite com a função pública, exigência reiterada nos regulamentos internos da Câmara.

Processo trabalhista expõe rotina na fazenda

O ex-tratorista Antonio da Costa processou a Agropecuária Tapuio, empresa vinculada a Motta, após ser demitido sem registro em carteira. Ary representou a fazenda no processo e Costa recebeu R$ 18 mil de indenização. O processo reforça a presença do secretário parlamentar na gestão diária da propriedade.

A família do deputado ainda emprega a esposa e o irmão de Ary em cargos públicos. Isabella Perônico ganha R$ 14,3 mil no gabinete da avó de Motta, enquanto André Guedes recebe R$ 13 mil como superintendente da PatosPrev, nomeado pelo pai do parlamentar, o prefeito Nabor Wanderley.

Silêncio de Hugo Motta

Procurado desde quarta-feira (13), o deputado não se manifestou sobre a compatibilidade do cargo de Ary com as normas da Câmara nem sobre os parentes empregados em funções públicas.

O caso reacende o debate sobre o uso de verbas de gabinete — cada deputado dispõe de até R$ 133 mil mensais para contratar entre 5 e 25 assessores — e a fiscalização de possíveis funcionários fantasmas.

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Crédito da imagem: Folhapress

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