Jornalistas em Gaza enfrentam fome, medo e exaustão
Jornalistas em Gaza enfrentam fome, medo e exaustão
Jornalistas em Gaza enfrentam fome, medo e exaustão enquanto tentam cobrir a guerra que já dura 22 meses. Privados de água, banheiros e segurança, muitos montam tendas próximas a hospitais para garantir eletricidade e sinal de internet.
Trabalho precário em meio a bombardeios
Com a rede elétrica interrompida em toda a Faixa de Gaza, hospitais tornaram-se centros improvisados de imprensa. Seus geradores fornecem a energia necessária para recarregar equipamentos, mas não oferecem proteção: uma dupla ofensiva israelense no hospital Nasser, em Khan Younis, matou cinco repórteres e pelo menos 15 outras pessoas na última segunda-feira.
De acordo com o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), 197 profissionais de mídia morreram desde o ataque do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023; 189 eram palestinos. Correspondentes locais que servem a veículos internacionais, como a BBC e a Al Jazeera, denunciam sentir-se alvos diretos das forças israelenses, acusação que Israel nega.
Fome e cansaço extremo
Além do risco constante de ataques, a escassez de alimentos agrava o cenário. A Classificação Integrada de Fases de Segurança Alimentar (IPC) confirmou, na sexta-feira passada, que mais de 500 mil moradores de Gaza encaram “fome, destituição e morte”. Jornalistas relatam sobreviver com café misturado a grão-de-bico ou chá sem açúcar durante toda a jornada de trabalho, que se estende por dias sem folga.
“Sinto dores de cabeça e fraqueza, mas continuo”, afirma o repórter independente Ahmed Jalal, deslocado diversas vezes com a família. Ghada Al-Kurd, correspondente da revista alemã Der Spiegel, diz ter perdido a capacidade de expressar emoções após dois anos narrando mortes e destruição. Muitos profissionais, contratados temporariamente, não recebem coletes de proteção, seguro ou apoio psicológico.
Medo constante e pouca perspectiva
Relatos de tendas funcionando como “estufas no verão e geladeiras no inverno” ilustram o desconforto diário. “Em frente à câmera preciso parecer alerta, mas sei que o local pode ser bombardeado a qualquer momento”, diz Abdullah Miqdad, da Al-Araby TV. Mesmo assim, a demanda global por informações mantém repórteres e cinegrafistas ativos, inclusive jovens que jamais haviam trabalhado em redação.

Imagem: Internet
A falta de segurança, de estrutura e de comida expõe o custo humano da cobertura jornalística em zonas de conflito. Novos ataques podem agravar ainda mais a situação dos profissionais que insistem em registrar a guerra.
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Crédito da imagem: BBC News Arabic

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou a mente inquieta por trás do soumuitocurioso.com.
Sempre fui movida por perguntas. Desde pequena, queria saber como as coisas funcionavam, por que o céu muda de cor, o que está por trás das notícias que vemos todos os dias, ou como a tecnologia está transformando o mundo em silêncio, aos poucos. Essa curiosidade virou meu combustível — e hoje, virou um blog inteiro.