Lua Ariel de Urano pode ter abrigado oceano gigante
Lua Ariel de Urano torna-se alvo de atenção após um estudo apontar que o satélite gelado pode ter sustentado um oceano de aproximadamente 170 quilômetros de profundidade, oculto sob sua crosta de gelo.
Divulgada online antes da publicação na edição de janeiro da revista Icarus, a pesquisa modelou como a gravidade de Urano esticou e comprimiu Ariel ao longo de bilhões de anos, revelando indícios de água líquida em seu interior e fornecendo pistas valiosas para a missão Uranus Orbiter and Probe, prioridade da NASA para esta década.
Lua Ariel de Urano pode ter abrigado oceano gigante
Com 1.150 km de diâmetro, Ariel apresenta superfície brilhante e variada, onde crateras antigas se misturam a planícies jovens formadas por criovulcanismo. Os pesquisadores calcularam que, no passado, a lua exibia excentricidade orbital de 0,04 — quarenta vezes maior que a atual e quatro vezes superior à da lua Europa, de Júpiter —, expondo Ariel a intensas forças de maré.
Essas deformações gravitacionais teriam flexionado a crosta congelada sobre uma camada líquida, gerando fraturas e cordilheiras observadas hoje. Segundo Alex Patthoff, do Instituto de Ciências Planetárias do Arizona, “é impossível explicar as rachaduras sem um oceano subterrâneo”. O grupo propõe dois cenários: um oceano profundo recoberto por gelo ou um corpo d’água mais raso, porém submetido a maior influência gravitacional do planeta hospedeiro.
O trabalho complementa estudo de 2024 que sugeriu a presença de água em Miranda, outra lua de Urano, reforçando a hipótese de vários mundos oceânicos no sistema. Para Tom Nordheim, da Universidade Johns Hopkins, as luas congeladas podem ser “gêmeas oceânicas” com potencial de abrigar formas de vida microscópicas, já que a combinação de água líquida e radiação cósmica cria ambiente favorável a microrganismos.

Imagem: NASA
A futura sonda da NASA deverá permanecer cinco anos orbitando Urano, examinando anéis e luas com instrumentos capazes de confirmar ou refutar o modelo apresentado. “No fim, precisamos voltar e ver com nossos próprios olhos”, resume Nordheim. Informações adicionais sobre o projeto podem ser encontradas no site da NASA.
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Imagem: NASA/JPL-Caltech/PSI/Mikayla Kelley/Peter Buhler
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