Nomes dos medicamentos: como a Anvisa decide a marca

Nomes dos medicamentos: como a Anvisa decide a marca

Nomes dos medicamentos: como a Anvisa decide a marca

Nomes dos medicamentos são definidos após um rigoroso crivo técnico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que busca evitar confusões e garantir a segurança do paciente antes que o produto chegue às farmácias.

Critérios para batizar um remédio

Ao receber sugestões das farmacêuticas, a Anvisa analisa se o nome proposto pode ser confundido com outro já registrado ou com o próprio princípio ativo. O órgão proíbe o uso de mais de 50% das letras da Denominação Comum Brasileira (DCB). Assim, um fármaco à base de dipirona não poderia se chamar Diropina, pois ultrapassa o limite de três letras coincidentes.

Expressões que prometem resultados, como “cura” ou “rápido alívio”, também são vetadas por criarem expectativas exageradas. Além disso, não são permitidos números sem significado claro, abreviaturas aleatórias ou termos que sugerem inocuidade, como “natural” ou “sem efeitos”.

Tecnologia apoia a prevenção de erros

Para reduzir riscos de prescrição e dispensação equivocadas, a agência utiliza a ferramenta POCA (Phonetic and Orthographic Computer Analysis), desenvolvida em parceria com a FDA. O sistema compara o som e a grafia do nome pretendido com um banco mundial de marcas farmacêuticas, barrando cerca de metade das propostas.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, falhas relacionadas a nomes de medicamentos custaram US$ 42 bilhões ao sistema de saúde global em 2017, evidenciando a importância dessa triagem.

Diferenças entre marcas, similares e genéricos

Medicamentos inovadores, ou de referência, ganham nomes de marca criados pelos departamentos de marketing, jurídico e pesquisa das empresas. Já os genéricos exibem apenas a DCB — o nome oficial do princípio ativo — justamente para evitar associações comerciais sobre eficácia.

Quando um produto lançado no exterior chega ao Brasil, o nome internacional pode ser aceito, mas precisa respeitar as regras locais. Caso contrário, a farmacêutica deve propor alteração. Esse alinhamento tem favorecido a padronização global, embora casos antigos como Dorflex permaneçam com denominações que hoje seriam reprovadas.

No Brasil, portanto, escolher a marca de um remédio é mais que marketing: é uma etapa crítica para evitar erros que possam comprometer tratamentos.

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Crédito da imagem: Comezora/Getty Images

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