O Último Azul: distopia brasileira questiona envelhecimento
O Último Azul: distopia brasileira questiona envelhecimento
O Último Azul, novo filme de Gabriel Mascaro, chega às salas nesta quinta-feira (28) após conquistar o Urso de Prata em Berlim e propõe uma reflexão lúdica sobre o lugar do idoso na sociedade brasileira.
O Último Azul: distopia brasileira questiona envelhecimento
Na trama, Tereza, interpretada por Denise Weinberg, trabalha em um frigorífico onde a névoa das câmaras frias dá o tom de fantasia que permeia todo o longa. Aos 77 anos, ela descobre que o governo criou uma lei para enviar compulsoriamente quem tem mais de 75 a colônias distantes, liberando as famílias para “produzir mais” para o país.
A rotina da protagonista muda quando um caracol de baba azul — criatura fictícia capaz de expandir a percepção — faz com que ela revisite passado e futuro. Sob esse efeito quase lisérgico, Tereza decide perseguir o sonho de ver as nuvens de perto, iniciando um percurso fluvial pela Amazônia.
Durante o trajeto, a personagem cruza com figuras como um barqueiro vivido por Rodrigo Santoro e o dono de um hidroavião interpretado por Adanilo. Esses encontros compõem um river movie que mistura aventura, crítica social e um humor agridoce.
Mascaro explica que preferiu evitar gadgets futuristas: o foco está em mudanças de comportamento. Segundo ele, poucos filmes tratam idosos como protagonistas ativos; obras clássicas, lembra, costumam concentrar-se na morte ou em memórias. “Quis falar de pulsão e desejo”, afirma o diretor, que se inspirou na própria avó, hoje com 97 anos.
A produção integra a recente onda de reconhecimento internacional do cinema brasileiro, que inclui o Globo de Ouro de Fernanda Torres, o Oscar de Ainda Estou Aqui e a Palma de autores como Kleber Mendonça Filho. De acordo com a organização da Berlinale, o prêmio acelera a venda de direitos de exibição; o filme já foi adquirido por 65 países.

Imagem: Internet
O Último Azul tem classificação de 14 anos e duração de 124 minutos. Mascaro espera que o bom momento externo se traduza em bilheteria doméstica, numa fase em que o público ainda se divide entre salas físicas e streaming.
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Crédito da imagem: Folhapress

Olá! Meu nome é Zaira Silva e sou a mente inquieta por trás do soumuitocurioso.com.
Sempre fui movida por perguntas. Desde pequena, queria saber como as coisas funcionavam, por que o céu muda de cor, o que está por trás das notícias que vemos todos os dias, ou como a tecnologia está transformando o mundo em silêncio, aos poucos. Essa curiosidade virou meu combustível — e hoje, virou um blog inteiro.