OpenAI devolve GPT-4o ao ChatGPT após críticas ao desempenho do GPT-5
A OpenAI voltou a disponibilizar o modelo GPT-4o no ChatGPT menos de 24 horas depois de ter apresentado o GPT-5, decisão que surge na sequência de numerosos relatos de degradação de desempenho na nova versão.
Queixas multiplicaram-se nas primeiras horas
A empresa lançou o GPT-5 na quinta-feira, 7 de agosto, apresentando-o como um avanço em tarefas de programação e produção de texto. No entanto, um tópico no Reddit superou os quatro mil comentários em poucas horas, reunindo reclamações sobre lentidão, respostas excessivamente curtas, formalidade exagerada e aumento de erros factuais. Muitos utilizadores classificaram o resultado como “frio” e “menos criativo” face ao antecessor.
Outro ponto crítico foi a remoção da ferramenta que permitia escolher o modelo manualmente. Assinantes que dependiam de versões anteriores para fluxos de trabalho específicos viram-se obrigados a recorrer ao GPT-5, alegadamente mais económico para a empresa mas, segundo os reclamantes, menos adequado a determinadas tarefas. Limitações semanais de interações em alguns planos também motivaram críticas adicionais.
Resposta rápida da OpenAI
Perante a pressão de utilizadores e ameaças de cancelamento de subscrições, o CEO da OpenAI, Sam Altman, recorreu à rede social X no domingo, 10 de agosto, para anunciar medidas. A empresa reintroduziu o GPT-4o para clientes Plus e duplicou o limite de usos desse modelo. Altman afirmou ainda que a equipa está a investigar os problemas reportados e que planeia permitir novamente a seleção manual de outras versões, bem como tornar mais transparente a identificação do modelo empregado em cada resposta.
O executivo comentou também o apego emocional demonstrado por alguns utilizadores a modelos específicos, sugerindo que a mudança de comportamento entre versões pode explicar parte da frustração. Segundo Altman, o GPT-4o tornou-se “demasiado bajulador”, característica que a atualização pretende mitigar.
Testes iniciais confirmam falhas e apontam progressos
O site BleepingComputer submeteu o GPT-5 a vários cenários de teste e confirmou parte das queixas: as respostas mostraram-se curtas mesmo quando solicitados argumentos extensos e a criatividade foi considerada inferior à do GPT-4o. Em sentido contrário, observou-se melhoria significativa na capacidade de escrever código, um dos objetivos declarados da atualização.

Imagem: tecmundo.com.br
Perspetiva académica sobre a relação utilizador-IA
A professora Pattie Maes, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), indicou à revista Wired que as alterações introduzidas no GPT-5 podem reduzir a dependência emocional que alguns utilizadores desenvolveram face ao ChatGPT. Maes é coautora de um estudo sobre vínculos afectivos com assistentes baseados em IA e defende que um tom menos “bajulador” pode estabelecer interações mais equilibradas.
Próximos passos da plataforma
A OpenAI não avançou um calendário para a conclusão das correções, mas comprometeu-se a manter a comunidade informada sobre o progresso. Entretanto, os subscritores já podem alternar novamente para o GPT-4o e beneficiar do aumento temporário no limite de mensagens. A empresa sublinhou que continua a ajustar os parâmetros do GPT-5 com base nos relatórios de erros e na telemetria recolhida.
Com o episódio, a OpenAI procura equilibrar inovação contínua e confiança dos utilizadores, demonstrando que feedback imediato tem impacto nas decisões de produto. Resta acompanhar se as melhorias prometidas para o GPT-5 convencerão quem, por agora, prefere ficar com o modelo anterior.

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Sempre fui movida por perguntas. Desde pequena, queria saber como as coisas funcionavam, por que o céu muda de cor, o que está por trás das notícias que vemos todos os dias, ou como a tecnologia está transformando o mundo em silêncio, aos poucos. Essa curiosidade virou meu combustível — e hoje, virou um blog inteiro.