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Palácio da Justiça recebe escultura de Burle Marx idealizada há sete décadas

A fachada do Palácio da Justiça, em Brasília, passou a exibir, junto ao espelho-d’água da entrada principal, uma escultura de Roberto Burle Marx que completa o plano original de integração entre arte e arquitectura concebido para o edifício há mais de 70 anos. A peça foi inaugurada na noite de 8 de Agosto, numa cerimónia que contou com a presença do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e da ministra da Cultura, Margareth Menezes.

Projecto retomado depois de meio século

O Palácio da Justiça faz parte do conjunto de edifícios da Esplanada dos Ministérios desenhado por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. Desde a fase de concepção, Niemeyer pretendia que cada palácio tivesse uma obra de arte na sua fachada, ideia já concretizada no Palácio Itamaraty com a escultura “Meteoro”, de Bruno Giorgi, instalada nos anos 1960. No caso do Ministério da Justiça, o projecto só se realizou 53 anos após a inauguração do edifício, ocorrida em 1972.

Segundo a historiadora da arte Graça Ramos, curadora da iniciativa, o prolongado intervalo deveu-se a mudanças de gestão e a decisões técnicas que se arrastaram ao longo de décadas. Elcio Gomes da Silva, arquitecto da Câmara dos Deputados, recorda que Burle Marx, José Waldemar Tabacow e Haruyoshi Ono assinaram os jardins interno e externo do ministério, mas a instalação de uma escultura acabou por ser adiada.

Selecção e transporte da obra

A escolha da peça coube a uma comissão formada por Rogério Tadeu de Salles Carvalho, Elcio Gomes da Silva, Graça Ramos, Lilia Schwarcz e Lílian Cintra de Melo. O grupo optou por uma escultura inacabada de Burle Marx, produzida em meados da década de 1980 e guardada no Sítio Roberto Burle Marx, no Rio de Janeiro. O sítio, onde o artista viveu durante 20 anos, é património mundial da UNESCO. A obra permaneceu no local até 21 de Junho, data em que começou o processo de transporte para Brasília.

Fabricada em granito branco do Ceará e com mais de três metros de altura, a peça foi descrita por Graça Ramos como um trabalho que “apresenta movimento” e até permite o surgimento de pequenas flores nas suas fendas. Para a curadora, essa característica reforça o diálogo com o jardim do Palácio da Justiça, concebido pelo próprio Burle Marx.

Simbolismo e sustentabilidade

Durante a inauguração, Ricardo Lewandowski sublinhou que a escultura representa a integração cultural entre diferentes regiões do país e adquire relevância adicional num contexto de preocupação global com a sustentabilidade. Para o ministro, a jornada da peça, do Rio de Janeiro até à capital federal, espelha a diversidade brasileira e demonstra a importância de preservar o património artístico.

Graça Ramos destaca ainda que a obra, apesar de inacabada, transmite “resistência”, atributo que a historiadora associa à própria ideia de justiça. A integração da escultura ao espelho-d’água fronteiro ao palácio obedece à visão inicial de Oscar Niemeyer de combinar arquitectura, arte e paisagem, reforçando o papel simbólico da sede do Ministério da Justiça na Esplanada.

Obra de Burle Marx reforça legado modernista

Roberto Burle Marx (1909-1994) foi um dos principais nomes do modernismo brasileiro, reconhecido pela utilização de espécies nativas em projectos de paisagismo e pela relação estreita entre natureza e arte. A incorporação da sua escultura ao Palácio da Justiça acrescenta mais um elemento ao legado modernista de Brasília, cidade inaugurada em 1960 e ainda em constante evolução urbana e cultural.

Com a instalação agora concluída, o Ministério da Justiça cumpre o plano traçado há sete décadas e passa a integrar o grupo de edifícios da capital que expõe obras de arte na sua fachada. A intervenção reforça a intenção original de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer de transformar Brasília num espaço onde arquitectura, paisagem e expressão artística coexistem de forma contínua.

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