Ratinho Jr. acelera privatizações e obras de infraestrutura rumo a 2026
Ratinho Junior, governador do Paraná e nome apontado para disputar as presidenciais de 2026, encerra o segundo mandato com uma agenda marcada por privatizações, grandes obras no litoral e tensão na área ambiental. O executivo estadual conta com ampla maioria na Assembleia Legislativa, recorre a regimes de urgência para acelerar votações e enfrenta críticas de entidades ambientais e de sindicatos de professores.
Privatizações e base parlamentar sólida
Em 2022, o parlamento estadual aprovou em menos de uma semana a alteração no controlo da Copel, reduzindo a participação pública de 31% para 16%. O governador pretende concluir, até ao primeiro trimestre de 2026, a desestatização da Celepar e a venda da Ferroeste, empresa que gere a ferrovia entre Guarapuava e Cascavel.
A estratégia de privatizações tem sido facilitada por uma coligação governista robusta, que ocupa a maioria dos 54 assentos da Assembleia. Esse apoio garante a aprovação célere de projectos considerados sensíveis e mantém a oposição reduzida a oito deputados – seis do PT e dois do PDT.
Obras no litoral e contencioso ambiental
Ratinho aposta em intervenções de grande dimensão para reforçar a ligação ao litoral. Entre elas destacam-se o alargamento da faixa de areia nas praias de Matinhos e a construção da ponte de Guaratuba, cuja entrega está prevista para Abril de 2026. Outro projecto central é a Faixa de Infraestrutura, um conjunto que inclui uma rodovia de quase 25 km, gasoduto e ramal ferroviário, destinado a ligar directamente a um porto privado em Pontal do Paraná.
O Ministério Público contestou estas obras, apontando derrubada significativa de Mata Atlântica e ausência de consulta a comunidades tradicionais e indígenas. Até ao momento, decisões judiciais têm autorizado a continuidade dos trabalhos, mas a gestão ambiental permanece o ponto de maior desgaste para o governo.
Em paralelo, o executivo aprovou legislação que flexibiliza o licenciamento ambiental, antecedendo iniciativa semelhante votada mais tarde no Congresso Nacional.
Educação: parcerias privadas e conflito com professores
O Governo do Paraná lançou em 2024 o Programa Parceiro da Escola, que permite entregar a gestão administrativa de colégios públicos ao sector privado. A medida desencadeou uma greve liderada pela APP-Sindicato, culminando em protestos na Assembleia e confronto com a polícia. A Procuradoria-Geral do Estado chegou a pedir a prisão da presidente do sindicato, Walkiria Mazeto, qualificando as manifestações como actos “antidemocráticos” e “terroristas”.
Durante a paralisação, a Secretaria da Educação enviou um vídeo, sem assinatura, para telemóveis de pais de alunos, criticando o movimento grevista. A pasta confirmou que a mensagem foi remetida pelo número oficial utilizado para comunicados escolares.

Imagem: noticiasaominuto.com.br
Apesar do conflito, o governo destaca o desempenho da rede estadual no Ideb de 2023, posicionando-se na segunda melhor classificação do país, ao lado do Espírito Santo e atrás de Goiás. O modelo de escolas cívico-militares, adoptado desde 2019, já está implementado em mais de 300 unidades.
Segurança pública e alinhamento com pautas conservadoras
Ratinho defende penas mais duras e maior autonomia dos estados para legislar sobre segurança. O Anuário de Segurança Pública de 2025 indica que o Paraná registou 18,4 mortes violentas por 100 mil habitantes em 2024, abaixo da média nacional (20,8), mas acima dos demais estados do Sul. A proporção de mortes por intervenção policial cresceu de 15,1% para 18,4% no mesmo período.
O governador mantém proximidade com o eleitorado que apoia Jair Bolsonaro, porém evita temas considerados mais divisivos. Afirma ser “contra a brigaiada” e procura projetar uma imagem de estabilidade para atrair investimentos.
Cenário eleitoral
Levantamento Datafolha coloca Ratinho com 40% das intenções de voto num eventual segundo turno contra o presidente Lula, que aparece com 45%. O desempenho equipara-se ao do governador paulista Tarcísio de Freitas, que regista 41% no mesmo cenário.
Com obras em andamento, privação de estatais e uma base legislativa fiel, Ratinho Junior tenta reforçar credenciais de gestor eficiente enquanto mede o impacto de contestação ambiental e conflitos com o sector da educação no caminho para 2026.

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