Segurar o choro: entenda impactos imediatos no corpo

Segurar o choro: entenda impactos imediatos no corpo

Segurar o choro: entenda impactos imediatos no corpo

Segurar o choro: entenda impactos imediatos no corpo é mais do que um gesto de autocontrole em público. A ação mobiliza circuitos cerebrais, altera hormônios do estresse e provoca reações físicas quase instantâneas, segundo especialistas em neurologia e psiquiatria.

Segurar o choro: entenda impactos imediatos no corpo

O que ocorre no cérebro e no organismo

A neurologista e neurofisiologista Thaís Augusta Martins, do Hospital Santa Lúcia (Brasília), explica que as emoções nascem no sistema límbico e são moduladas pelo córtex pré-frontal, região responsável pelo julgamento social. Quando a pessoa reprime as lágrimas, o córtex inibe o impulso límbico, mas o corpo reage como se estivesse em perigo.

Esse bloqueio aciona o sistema nervoso autônomo e aumenta a liberação de cortisol, hormônio associado ao estresse. Em poucos segundos podem surgir:

  • Batimentos cardíacos acelerados;
  • Pressão arterial elevada;
  • Sudorese e tremores;
  • Tensão muscular em pescoço, ombros e mandíbula;
  • Dor de cabeça e sensação de nó na garganta.

Riscos do hábito de reprimir emoções

Quando segurar o choro se torna rotina, o organismo convive com níveis crônicos de cortisol. A médica alerta para consequências que incluem aumento de gordura abdominal, picos de glicemia, queda da imunidade, insônia e irritabilidade persistente.

Para o psiquiatra Iago Fernandes, de São Paulo, a supressão das lágrimas “desloca” o estresse para dentro do corpo: os sentimentos continuam ativos, mantendo o estado de alerta. Estudos relacionam o hábito a maior risco de ansiedade, depressão, dores crônicas e fadiga.

Normas culturais, especialmente as ligadas à masculinidade tradicional, reforçam o comportamento de não chorar e dificultam a procura por ajuda psicológica, observa o especialista.

Por que chorar faz bem

Além de lubrificar os olhos e protegê-los contra infecções, o choro ativa o sistema parassimpático, que desacelera o coração e reduz a pressão arterial após a crise de emoção. “É um mecanismo natural de autorregulação que ajuda a restaurar o equilíbrio físico e mental”, resume Thaís Martins.

Segurar o choro: entenda impactos imediatos no corpo - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Já do ponto de vista social, demonstrar vulnerabilidade fomenta empatia e fortalece vínculos. Como destaca a Harvard Medical School, expressar emoções em vez de reprimi-las contribui para relacionamentos mais saudáveis e para o bem-estar geral.

Em síntese, conter as lágrimas pode parecer sinal de força, mas, biologicamente, amplia o estresse e sobrecarrega corpo e mente. Chorar, portanto, é uma ferramenta de equilíbrio — não de fraqueza.

Quer saber mais sobre como hábitos cotidianos afetam o organismo? Acesse outras matérias de Saúde e Bem Estar e continue informado.

Crédito da imagem: Getty Images

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