Prazo para subida das tarifas dos EUA sobre a China expira esta terça-feira
Termina esta terça-feira a moratória de 90 dias que suspendeu o aumento das tarifas norte-americanas sobre produtos chineses. Até ao momento, Washington não confirmou se irá prolongar o período de isenção ou avançar com direitos aduaneiros mais elevados, cenário que mantém empresas e mercados em expectativa.
Negociações sem anúncio final
O último encontro oficial entre delegações dos Estados Unidos e da China decorreu no fim de Julho, em Estocolmo. No final das conversações, representantes de ambos os países manifestaram “expectativa” de um novo adiamento por 90 dias, mas sublinharam que a decisão final cabia ao presidente Donald Trump. Desde então, não houve qualquer declaração pública a confirmar um prolongamento ou a aplicação imediata de novas tarifas.
Scott Bessent, secretário do Tesouro norte-americano, indicou que o executivo pondera um novo adiamento para concluir um acordo que fixaria a maioria das tarifas em 50 % e acrescentaria sobretaxas relacionadas com o combate ao tráfico de fentanil. Sem extensão, o regime actual – 10 % de tarifa base mais 20 % adicionais sobre determinados produtos – poderá ser substituído por taxas até 245 %, valor ameaçado pela administração Trump antes da trégua comercial acordada em Agosto.
Pressões sobre Pequim e Washington
Tarifas mais altas representariam novo desafio para a segunda maior economia mundial, que continua a recuperar dos efeitos combinados da crise no sector imobiliário e das restrições impostas pela pandemia. Pequim enfrenta ainda perdas de postos de trabalho em fábricas de menor dimensão, penalizadas por impostos sobre encomendas de pequeno valor. Apesar da pressão, a China mantém alguma margem negocial: os Estados Unidos dependem de importações chinesas que vão de bens de consumo básicos a componentes de turbinas eólicas, chips de baixo custo e baterias para veículos eléctricos.
Do lado norte-americano, a Casa Branca defende que os direitos adicionais visam reduzir o défice comercial com a China, que atingiu em Julho o nível mais baixo dos últimos 21 anos devido ao abrandamento das exportações chinesas. Ainda assim, aumentos substanciais poderão repercutir-se em preços mais altos para consumidores e empresas nos EUA, numa altura em que a inflação continua a preocupar a Reserva Federal.
Contexto político e possíveis cenários
Em entrevista gravada na quinta-feira e transmitida domingo pela Fox News, o vice-presidente JD Vance admitiu que Trump estuda tarifas suplementares como reacção às compras chinesas de petróleo russo. O governante não avançou, contudo, qualquer decisão definitiva.

Imagem: Christopher Bodeen The As via globalnews.ca
Analistas recordam que a actual administração tem alterado repetidamente prazos e percentagens, mantendo a incerteza nos mercados. Caso o prazo de 12 de Agosto não seja prolongado, o aumento imediato dos direitos aduaneiros poderá provocar volatilidade nas bolsas e travar investimentos, segundo um relatório recente da Oxford Economics. Pelo contrário, uma extensão de 90 dias daria fôlego às negociações e evitaria, para já, uma escalada que ambos os lados admitem ser prejudicial.
Antes da trégua, Washington ameaçava impor tarifas de 245 % a praticamente todas as importações chinesas, enquanto Pequim anunciava retaliações de até 125 % sobre produtos norte-americanos. Embora o congelamento desses valores tenha reduzido a tensão, especialistas alertam que um impasse prolongado poderá reactivar medidas dessa magnitude e comprometer cadeias globais de abastecimento, com reflexo nos preços de matérias-primas como cobre ou petróleo.
Próximos passos
Depois de uma chamada telefónica em Junho, Donald Trump manifestou intenção de reunir-se com Xi Jinping ainda este ano, objectivo que poderá depender do desfecho imediato do dossiê tarifário. Até lá, empresas dos dois países mantêm encomendas e contratações em suspenso, à espera de clareza sobre regras comerciais que influenciam custos, competitividade e decisões de investimento.
Com a contagem decrescente a chegar ao fim, a Casa Branca conserva a opção de renovar a moratória, avançar com tarifas intermédias ou aplicar, de forma integral, as taxas já anunciadas. Qualquer sinal nas próximas horas será decisivo para a evolução das conversações e para o equilíbrio económico entre as duas maiores potências mundiais.

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