Treino de respiração reforça coração de doentes com Parkinson em cinco semanas
Um programa simples de fortalecimento dos músculos inspiratórios, realizado em casa durante cinco semanas, demonstrou potencial para melhorar o controlo autonómico do coração em pessoas com doença de Parkinson. A conclusão resulta de um estudo piloto conduzido por investigadores do Departamento de Fisiologia e Farmacodinâmica da Universidade Federal Fluminense (UFF), publicado na revista Autonomic Neuroscience: Basic and Clinical.
Treino respiratório em casa melhora controlo cardíaco
O trabalho avaliou se o treinamento muscular inspiratório (TMI) – exercício que aumenta a resistência à entrada de ar e reforça o diafragma e outros músculos da respiração – poderia atenuar as disfunções do sistema nervoso autónomo observadas em muitos doentes com Parkinson. Estas disfunções manifestam-se, por exemplo, em tonturas, queda da tensão arterial ou desmaios quando a pessoa passa da posição sentada para de pé.
Para testar a hipótese, a equipa da UFF acompanhou oito indivíduos diagnosticados com Parkinson e oito voluntários saudáveis da mesma faixa etária. Todos receberam um dispositivo portátil que cria resistência mecânica durante a inspiração e foram instruídos a treinar diariamente, em ambiente domiciliar, durante cinco semanas.
Metodologia do ensaio
Antes e depois do período de treino, os participantes realizaram medições de:
- Pressão inspiratória máxima – indicador da força dos músculos respiratórios;
- Variabilidade da frequência cardíaca – parâmetro que reflecte o equilíbrio entre os ramos simpático e parassimpático do sistema nervoso autónomo.
Os testes ocorreram em duas situações: em repouso, sentado, e sob stress ortostático, quando o corpo necessita manter a pressão arterial estável após se colocar em pé.
Resultados apontam benefício específico para Parkinson
A análise revelou aumento da força inspiratória e da actividade vagal em repouso em ambos os grupos. Contudo, apenas os doentes com Parkinson evidenciaram melhoria significativa no controlo cardíaco durante o stress ortostático. Segundo os autores, este ganho indica maior capacidade de adaptação a mudanças posturais, podendo reduzir sintomas como tonturas e quedas.
Os investigadores sugerem que o TMI prolonga naturalmente a expiração e, consequentemente, estimula o nervo vago, responsável por abrandar a frequência cardíaca. Tal mecanismo ajuda a restabelecer o equilíbrio entre aceleração e travagem do coração, frequentemente comprometido pela progressão da doença.
Ferramenta acessível e não farmacológica
Além dos resultados positivos, o estudo destaca a conveniência do método: o treino é barato, dispensando supervisão diária em clínica e pode ser integrado na rotina familiar. Para a equipa da UFF, a abordagem oferece alternativa complementar aos tratamentos farmacológicos, contribuindo para a qualidade de vida dos pacientes.
Apesar do carácter promissor, o trabalho envolveu amostra reduzida e não abrangeu casos de Parkinson em fase avançada. O grupo prepara agora um ensaio com mais voluntários e testes de função autonómica adicionais, como o head-up tilt, a fim de confirmar os benefícios observados.
O projecto recebeu apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Para os autores, o corpo mantém capacidade de adaptação mesmo perante a neurodegeneração; fortalecer a respiração pode ser uma via simples para proteger o coração em quem vive com Parkinson.

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