Três alimentos que reduzem o risco de demência, segundo nutricionistas
Nutricionistas norte-americanas identificaram três grupos de alimentos que devem fazer parte das compras semanais para ajudar a diminuir a probabilidade de desenvolver demência. As recomendações baseiam-se em estudos que analisam o impacto da dieta MIND, um padrão alimentar concebido para preservar a saúde cerebral.
MIND: padrão alimentar com benefícios comprovados
Laura Ali, dietista e especialista em nutrição culinária, recorda um trabalho científico que mostrou uma redução de 50 % no risco de demência entre participantes que seguiram a dieta MIND. A nutricionista Serena Benali, presidente da In Good Health, acrescenta que a investigação do Instituto Nacional do Envelhecimento dos Estados Unidos encontrou menos alterações associadas à doença de Alzheimer em cérebros de idosos que mantinham este regime alimentar até aos 90 anos.
Segundo Benali, a alimentação é uma ferramenta acessível para reduzir inflamação, stress oxidativo e apoiar a circulação sanguínea, três factores ligados ao declínio cognitivo. Embora não exista garantia absoluta de prevenção, combinar escolhas nutricionais corretas com atividade física regular, interação social e controlo do stress forma um conjunto sólido de estratégias de proteção.
Três alimentos a incluir na lista de compras
1 — Frutos vermelhos e bagas
Ali recomenda o consumo de frutos como morangos, mirtilos ou framboesas três a quatro vezes por semana. Estas bagas são ricas em flavonoides, compostos vegetais com propriedades antioxidantes que protegem vias de sinalização cerebral responsáveis pela memória. Estudos citados pela nutricionista associam maior ingestão de bagas a melhor função cognitiva.
Benali confirma estes resultados, indicando que consumidores habituais de frutos vermelhos apresentam memória mais preservada e declínio cognitivo mais lento em diferentes investigações com humanos.
2 — Marisco rico em ómega-3
Peixes gordos como salmão, sardinha, truta ou atum devem surgir no prato pelo menos uma vez por semana, afirma Ali. Estes alimentos fornecem ácidos gordos ómega-3, sobretudo DHA, componente estrutural das membranas das células cerebrais.
Benali salienta as sardinhas como exemplo acessível e nutritivo. O DHA presente no peixe de água fria facilita a comunicação entre neurónios e contribui para reduzir a neuroinflamação. Por já conter DHA preformado, o marisco oferece uma vantagem em relação a fontes vegetais de ALA, que exigem conversão pelo organismo.

Imagem: noticiasaominuto.com.br
3 — Folhas verdes
Espinafres, couve ou rúcula podem ser integrados em saladas, sopas ou pratos principais. Ali aponta um estudo publicado no Journal of Neurology que relacionou maior consumo de vegetais de folha verde a menor acumulação de placas no cérebro, característica da doença de Alzheimer.
Além do conteúdo de vitaminas e minerais, estas folhas fornecem antioxidantes e nitratos que apoiam a circulação, outro factor importante para a função cerebral.
Orientação prática para o dia a dia
As duas especialistas recomendam comprar diferentes variedades de bagas, optar por peixe gordo fresco ou enlatado em água e incorporar folhas verdes em refeições quentes ou frias. Planeamento semanal ajuda a garantir a presença destes alimentos na dieta.
A adoção das recomendações não implica alterações radicais. Substituir sobremesas açucaradas por uma taça de frutos vermelhos, trocar carne processada por uma dose de sardinhas e acrescentar folhas verdes a massas ou omeletas são exemplos de ajustes simples com potencial benefício cumulativo.
Próximos passos na investigação
A comunidade científica continua a explorar a relação entre nutrição e neurodegeneração. Ensaios de longo prazo procuram esclarecer a quantidade ideal e as combinações de alimentos mais eficazes. Entretanto, os dados disponíveis reforçam a importância de padrões alimentares ricos em antioxidantes, gorduras saudáveis e vegetais de folha verde para a saúde cerebral.

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