Trump marca encontro com Putin no Alasca para discutir fim da guerra na Ucrânia

Trump marca encontro com Putin no Alasca para discutir fim da guerra na Ucrânia

Donald Trump confirmou que se reunirá com Vladimir Putin no Alasca na próxima sexta-feira, 15 de agosto de 2025, para abordar a guerra na Ucrânia. O anúncio foi feito na rede Truth Social, onde o presidente dos Estados Unidos indicou que mais pormenores serão divulgados “em breve”.

Encontro agendado para 15 de agosto

Segundo Trump, o encontro “altamente aguardado” decorrerá no Estado do Alasca e marcará a primeira cimeira EUA–Rússia desde 2021. O chefe de Estado norte-americano afirmou a jornalistas que a reunião poderia ter acontecido mais cedo, mas foram necessárias garantias de segurança adicionais. “Ele quer encontrar-se o quanto antes; eu também”, referiu.

Trump tem defendido que uma solução negociada está “muito próxima”, apesar da continuação dos combates no terreno. Questionado sobre um eventual acordo que reconheça ganhos territoriais russos, o presidente admitiu a possibilidade de “trocas de territórios” que beneficiem ambas as partes, sem avançar detalhes.

O Kremlin, por seu lado, mantém disponibilidade para dialogar com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, mas apenas quando um esboço de acordo estiver praticamente concluído. A disposição de Trump para reunir com Putin mesmo sem a presença de Kiev gerou apreensão em capitais europeias, que receiam um entendimento à margem da Ucrânia.

Pressão económica sobre Moscovo intensifica-se

O anúncio da cimeira coincidiu com novas medidas económicas contra a Rússia. Canadá, Reino Unido e União Europeia revelaram uma redução do teto máximo para o preço do petróleo bruto russo, que passa de 60 para 47,60 dólares por barril. Os limites de 100 dólares para produtos refinados de alto valor, como gasóleo, e de 45 dólares para produtos de menor valor, como fuelóleo, permanecem inalterados.

Em comunicado conjunto, os ministros canadianos François-Philippe Champagne e Anita Anand sublinharam que o objetivo é “estrangular uma fonte crucial de financiamento da guerra ilegal da Rússia”. Washington reforçou a pressão com um decreto que aplica um tarifário adicional de 25 % sobre as importações indianas de petróleo russo e ameaçou medidas semelhantes para outros países que comprem energia a Moscovo.

Trump estabeleceu igualmente a próxima sexta-feira como data-limite para o Kremlin apresentar avanços rumo à paz, sob pena de novas sanções norte-americanas.

Combates persistem na linha da frente

Apesar dos sinais diplomáticos, as hostilidades mantêm-se ao longo dos cerca de 1 000 quilómetros de frente de combate. Na região de Donetsk, particularmente na zona de Pokrovsk, as forças ucranianas enfrentam ataques intensos num esforço russo para avançar em direção a Dnipropetrovsk. Um comandante da Brigada Spartan, identificado pelo nome de código “Buda”, declarou à Associated Press que “a única opção é derrotá-los”, descrevendo o diálogo com Moscovo como inviável.

No norte, na região fronteiriça de Sumy, unidades ucranianas procuram impedir o envio de reforços russos para Donetsk. A sul, na área de Zaporíjia, um comandante de obuses com o indicativo “Varsóvia” salientou a determinação das tropas: “Estamos na nossa terra, não temos alternativa.”

O Instituto para o Estudo da Guerra, com sede em Washington, sustentou que Putin continua a acreditar que o tempo favorece Moscovo e procura obter concessões bilaterais dos Estados Unidos sem envolver-se num processo de paz substantivo.

Reações em Kiev

Num discurso noturno, Zelensky afirmou que, após contactos com aliados europeus, existe a possibilidade de alcançar pelo menos um cessar-fogo, desde que seja exercida pressão suficiente sobre Moscovo. O presidente ucraniano não comentou diretamente a cimeira no Alasca, mas reiterou que qualquer solução terá de incluir garantias de segurança para Kiev e respeito pela soberania do país.

Enquanto isso, as forças ucranianas enfrentam défice de efetivos, e o prolongamento da guerra continua a pesar sobre recursos militares e civis.

A cimeira Trump-Putin acontece num contexto de escalada diplomática e militar que perdura há mais de três anos. Resta saber se o encontro no Alasca poderá desbloquear um processo de paz ou aprofundar as divisões entre os países diretamente envolvidos e os seus aliados.

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