Wegovy e Saxenda no SUS: sociedades médicas reagem
Wegovy e Saxenda no SUS: sociedades médicas reagem
Wegovy e Saxenda no SUS: sociedades médicas reagem. A negativa da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) em incluir os medicamentos Wegovy e Saxenda provocou forte reação das principais entidades brasileiras dedicadas ao combate à obesidade e ao diabetes.
Wegovy e Saxenda no SUS: sociedades médicas reagem
Em nota conjunta, a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) classificaram a decisão, tomada em 20 de agosto, como um retrocesso no acesso a tratamentos inovadores. Os dois fármacos da Novo Nordisk — Saxenda (liraglutida) e Wegovy (semaglutida) — já contam com aprovação da Anvisa para uso em pacientes com obesidade e, no caso do Wegovy, também em pessoas acima de 45 anos com doença cardiovascular.
Para as entidades, a recusa reforça a desigualdade, já que “sete em cada dez brasileiros com obesidade dependem exclusivamente do SUS”. Elas alertam que a limitação transforma a medicação em recurso disponível apenas para quem tem condição financeira de arcar com clínicas privadas, contrariando os princípios de universalidade do sistema público.
A Conitec argumentou que a incorporação poderia elevar os gastos do SUS em até R$ 8 bilhões em cinco anos, devido ao uso contínuo dos medicamentos. As sociedades médicas contestam o cálculo, alegando que os conselheiros ignoraram benefícios adicionais, como redução de internações e de complicações cardiometabólicas, já evidenciados em estudos recentes. Segundo elas, premissas mais amplas apontariam para economia de longo prazo.
Outro ponto de crítica foi a falta de análise sobre a sibutramina, solicitada em dezembro de 2024 e com custo estimado inferior a R$ 30 mensais. As entidades entendem que o atraso reforça um padrão de negativa sistemática da Conitec, baseada exclusivamente em preço, sem ponderar impactos clínicos mais abrangentes.
Além do custo, o parecer técnico citou a necessidade de equipe multidisciplinar — psicólogos e nutricionistas — para acompanhar os pacientes, o que, segundo a Conitec, pressionaria filas já extensas no SUS. A nota das sociedades não rebate diretamente essa dificuldade operacional.

Imagem: Internet
Especialistas consultados veem a decisão como reflexo do conflito entre inovação terapêutica e restrições orçamentárias. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o Brasil ocupa posição de destaque no crescimento da obesidade, tornando urgente a ampliação de opções de tratamento.
Enquanto a farmacêutica Novo Nordisk mantém diálogo com autoridades para reverter o cenário, Abeso, SBD e SBEM prometem pressionar gestores por soluções que combinem medicamentos, reeducação alimentar e acompanhamento multiprofissional.
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Crédito da imagem: Getty Images

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