Zelenskyy rejeita cimeira Trump-Putin no Alasca e alerta para “decisões mortas”
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, descartou a relevância da cimeira agendada entre Donald Trump e Vladimir Putin, prevista para sexta-feira no Alasca, argumentando que qualquer acordo de paz alcançado sem a presença de Kyiv resultará em soluções “mortas”.
Temor de marginalização da Ucrânia
Trump confirmou que se reunirá com Putin para discutir o fim da guerra iniciada pela invasão russa, há mais de três anos, mesmo que o líder do Kremlin recuse um encontro paralelo com Zelenskyy. A decisão intensificou receios de que a Ucrânia possa ser afastada das negociações.
Numa mensagem publicada na plataforma Telegram, Zelenskyy sublinhou que a integridade territorial da Ucrânia, consagrada na Constituição, “não é negociável”. O chefe de Estado acrescentou que os ucranianos “não darão prémios ao agressor” nem cederão território, concluindo que “qualquer decisão tomada sem a Ucrânia será, ao mesmo tempo, uma decisão contra a paz”.
Símbolo e dinâmica da cimeira no Alasca
Yuri Ushakov, conselheiro de política externa de Putin, justificou a escolha do Alasca destacando a proximidade geográfica pelo Estreito de Bering e a relevância de um “encontro tão importante” em solo norte-americano. A decisão rompeu expectativas de um país neutro para acolher as conversações, conferindo a Putin visibilidade após anos de isolamento diplomático imposto pelo Ocidente.
Analistas, como Nigel Gould-Davies, do think tank Chatham House, apontam o simbolismo do local: a Rússia vendeu o Alasca aos Estados Unidos em 1867. Segundo o especialista, Putin poderá invocar essa transação histórica para pressionar a Ucrânia a renunciar a zonas ocupadas.
Hipótese de troca de territórios
Antes do anúncio da cimeira, Trump sugeriu a possibilidade de uma permuta de territórios como parte de um entendimento, sem entrar em detalhes. Comentadores próximos do Kremlin admitem que Moscovo poderia abdicar de áreas fora das quatro regiões ucranianas que reclama ter anexado, em troca de reconhecimento internacional desses anexos.
Fontes governamentais em Kyiv indicaram à agência Associated Press que a Ucrânia admite a dificuldade de recuperar militarmente todos os territórios perdidos, mas insiste na necessidade de participar em qualquer processo que determine fronteiras ou estatutos políticos.

Imagem: Samya Kullab And Elise Morton via globalnews.ca
Pressão económica e calendário apertado
Quase duas semanas antes, Trump fixara a sexta-feira como prazo para impor sanções adicionais à Rússia, incluindo tarifas secundárias a países que comprem petróleo russo, caso Moscovo não avançasse para um cessar-fogo. A Casa Branca não esclareceu, até ao momento, se esse pacote seguirá em frente após a marcação da reunião no Alasca.
Conflito mantém-se no terreno
Enquanto decorrem manobras diplomáticas, os combates continuam. No sábado, um drone russo atingiu um miniautocarro nos subúrbios de Kherson, provocando dois mortos e 16 feridos, segundo o governador regional Oleksandr Prokudin. Noutra operação, dois civis morreram quando o veículo em que seguiam foi atingido por drone na região de Zaporizhzhia, de acordo com o governador Ivan Fedorov.
A Força Aérea ucraniana comunicou a interceção de 16 dos 47 drones lançados durante a noite, confirmando que 31 aeronaves não tripuladas atingiram alvos em 15 localidades e que um dos dois mísseis disparados pela Rússia foi abatido. Em contrapartida, o Ministério da Defesa russo reivindicou a destruição de 97 drones ucranianos sobre o seu território e sobre o mar Negro, além de 21 dispositivos adicionais na manhã de sábado.
Participação decisiva ou impasse?
O encontro entre Trump e Putin antecederá qualquer diálogo com a participação de Zelenskyy. Para Kyiv, a ausência de assento à mesa configura risco de legitimação das exigências russas. Zelenskyy reafirma que “a paz duradoura” só é possível se a Ucrânia “sentar-se à mesa e for ouvida”.

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